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  • CBN Ponta Grossa

Exposição do Museu Parque Histórico retrata o aconchego da casa dos imigrantes holandeses

Situado na Casa da Memória, o espaço expositivo “Gezellig - A arte do aconchego” representa uma sala holandesa, e seu ambiente aconchegante nos permite vivenciar o significado desta palavra

Foto: Divulgação

Felipe Pedroso, responsável pela exposição, explica que "Gezellig é uma expressão em língua neerlandesa, um conceito que não tem uma tradução direta para o português. Esta manifestação cultural incorpora um sentimento de aconchego, conforto, intimidade e convivialidade. Desta forma, o conceito expresso na reprodução da decoração de uma casa holandesa está relacionado a um ambiente acolhedor, confortável e convidativo”.



Museologia Social


A comunidade de imigrantes presentes em Carambeí sempre se dedicou a manifestações culturais, como a música, dança e o teatro. Deste último, se tem registros das atividades a partir da década de 1950. Desta forma, a criação do projeto Museu Interativo, na Vila Histórica do Parque, era só uma questão de tempo.


A reconstituição das casas, escola, igreja e demais ambientes de trabalho e convívio foram o incentivador ideal para a comunidade impulsionar sua paixão pelo teatro. Em datas especiais e festividades, a Vila Histórica ganha vida e os moradores de Carambeí prestam uma homenagem ao passado, relembrando as famílias dos imigrantes, descendentes e todos que aqui se fixaram.


É a motivação solidária, o desejo de ajudar, o prazer de se sentir útil. Voluntariado é uma relação humana, rica e solidária. O trabalho voluntário não é uma atividade fria, racional e impessoal. É contato humano, é relação de pessoa a pessoa, oportunidade para se fazer novos amigos, intercâmbio e aprendizado.


Trabalho voluntário é uma via de mão dupla: o voluntário doa e recebe. Voluntariado não tem nada a ver com obrigação, com coisa chata, triste, motivada por sentimento de culpa. Voluntariado é uma experiência espontânea, alegre, prazerosa, gratificante. O voluntário doa sua energia e criatividade, mas ganha em troca contato humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidade de viver outras situações, aprender coisas novas, satisfação de se sentir útil.


Ao mobilizar energias, recursos e competências em prol de ações de interesse comum, o voluntariado combate a indiferença, a discriminação e a exclusão social, fortalece a solidariedade e a cidadania, reforça o pertencimento de todos a uma mesma sociedade. Ajudando aos outros, ajudamos a nós mesmos e a todos.


Fazer parte do projeto Museu Interativo como voluntário é ser responsável por difundir a rica cultura de Carambeí: da mistura de vários povos que aqui escolheram para sua moradia, levando adiante nossos costumes, hábitos e tradições. São vocês os porta-vozes dessa herança.


Inaugurada em 1 de setembro de 2001, a Casa da Memória foi a primeira ala museal do Parque Histórico de Carambeí. Anteriormente a mesma construção abrigava um estábulo, datado de 1946, que atualmente dá lugar ao projeto de preservação da memória da colonização holandesa nos Campos Gerais e da própria construção histórica da cidade de Carambeí.


O estilo arquitetônico adotado remete a construções de celeiros em algumas regiões da Holanda - a escolha da edificação para uso de uma instituição de memória se faz importante para a compreensão da identidade histórica do imigrante, além de ser de grande representatividade entre suas práticas econômicas, sociais e culturais.


Em comemoração ao Centenário da Imigração Holandesa no Paraná, 2011 foi inaugurado a Vila Histórica, espaço que representa a antiga colônia. Em 2015 finalizando o projeto do complexo museal foi inaugurado o Parque das Águas, inspirado no Parque ambiental holandês Zaanse Schans.



A primeira família de imigrantes a se instalar em Carambeí era uma família alemã que aqui se fixou em 1910. Os primeiros holandeses chegaram aqui em 1911, mas não diretamente da Holanda. Eles já estavam desde 1909 em Irati na colônia chamada Gonçalves Júnior. Colonização que fracassou devido a doenças e pragas, à falta de conhecimento e à falta de recursos.


Muitas crianças e mulheres faleceram neste local, motivo pelo qual o lugar ficou conhecido como “Cemitério das Senhoras”. Dois irmãos, Jan e Leendert Verschoor, ouviram que aqui a BRAZIL RAILWAY COMPANY abria uma colônia para assim viabilizar a construção de uma estrada de ferro.


Cada colono recebia da Companhia 1 pedaço de terra, 1 casa com estábulo, 6 vacas, 1 junta de bois, sementes e adubo, com o prazo de 10 anos para o pagamento. Este pagamento era feito em produção de leite posteriormente entregue na pequena

fábrica da própria Companhia. O 1º contrato com a Companhia foi assinado no dia 04 de Abril de 1911. Os irmãos voltaram para Irati para contar a novidade e de lá veio também a família Vriesman.


O sr. Jan Verschoor havia perdido sua esposa em Irati e resolveu retornar à Holanda para procurar uma nova esposa, quando veio a falecer. Mas segundo os relatos que fez no país, vieram no final de 1911 diretamente da Holanda para Carambeí, as famílias: Voorsluijs, De Geus, Los e Harms.


O pequeno grupo era muito unido, principalmente na fé (Igreja Evangélica Reformada). Em 1917 a Companhia concluiu a estrada de ferro e se retirou. Surgiram então pequenas fábricas de queijo, as quais geravam concorrência entre os produtores. Isto fez com que eles se unissem e formassem, em 1925 a primeira Cooperativa de Produção do Brasil com o nome COOPERATIVA HOLANDEZA DE LATICÍNIOS LTDA. O leite e o queijo produzidos eram levados até Ponta Grossa por meio de carroças conduzidas por cavalos; para Curitiba e São Paulo de caminhão ou trem. Em 1928, surgiu a marca BATAVO.


O ano de 1935 foi marcado pela vinda dos Indonésios para a colônia de Carambehy. Eles também trouxeram consigo capital o que foi de grande auxílio para o desenvolvimento e progresso da colônia. A Indonésia, durante muitos anos foi colônia da Holanda e quando a Indonésia ganhou sua independência, muitos holandeses que lá viviam e não querendo retornar para a Holanda, resolveram vir para o Brasil, pois estavam acostumados com o clima tropical da Indonésia.


1910: chegada da primeira família alemã em Carambeí;

1911: chegada dos primeiros holandeses em Carambeí;

1925: criação da primeira cooperativa de produção no Brasil;

1928: criação da marca BATAVO;

1935: chegada das famílias holandesas provindas da Indonésia;

1935: vinda do primeiro pastor, William V. Muller.

1947: vinda do primeiro gado holandês com Bauke Dijkstra, 40 novilhas prenhas e 1 touro.

1950: formação da Colônia de Castrolanda.

1954: formação da CCLPL (Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda.) formada pelas Cooperativas Batavo, Castrolanda e

posteriormente Arapoti.

1960: formação da Colônia de Arapoti.


Da família Los, local onde os homens solteiros se reuniam aos sábados à noite para cantar, se divertir, contar piadas. “SORGENFREI” que em alemão significa “sem preocupações’’, é uma homenagem ao sr. George Schmidt, um alemão simpático que animava as noites de sábado. A venda, ou ‘secos e molhados’ também era o espaço de convivência e informação, por ser ponto de passagem de muitas pessoas, muitas informações eram obtidas ali.


No início, era uma casa do colono dividida ao meio, uma parte destinada a igreja e a outra a escola, fora cedida pela companhia férrea; quem lecionava eram os próprios colonos que também dirigiam os cultos aos domingos.


ESTAÇÃO DE TREM CARAMBEHY: Reprodução da estação que era localizada no Alto Carambeí na localidade de Catanduvas. Simboliza a vinda dos primeiros colonos para Carambeí, bem como a presença da Brazil Railway Company na região, viabilizando o povoamento da cidade.


CHÁCARA HOLANDESA: Demonstra como viviam os colonos na década de 1920; até então as casas serviam apenas como abrigo. Curiosidades: a cozinha era o ambiente de convívio diário das famílias, a sala era usada somente para a realização de cultos aos domingos e para receber visitas. O telhado das casas era de madeira, ou como chamavam “taboinha”.


MOINHO DE CEREAIS: representa o antigo moinho dos srs. Daniel Los e Cornélio Verschoor na década de 1940; este era utilizado para moer grãos e cereais para consumo da comunidade e para alimentar os animais. Devido a escassez de combustível durante a Segunda Guerra Mundial, passou a ser movido com a força da água (roda d’água). O monjolo junto ao moinho representa a passagem dos tropeiros pela região.


Cemitério: Ficava ao lado da Igreja, como representado na Vila Histórica. Aqui estão representadas as seis primeiras famílias que se estabeleceram em Carambeí e um túmulo em memória às demais famílias, que vieram posteriormente.


IGREJA: Primeira igreja de Carambeí representa a religiosidade dos imigrantes holandeses, centrada no protestantismo de


orientação calvinista, as primeiras famílias holandesas da colônia eram membros da Igreja Reformada Holandesa ou da Igreja Reformada Cristã, mas aqui se uniram e viveram como se fossem de uma única igreja.


Construída em 1930, a igreja representou e representa a Fé, um dos três pilares que sustentaram a colônia, o espírito religioso foi muito benéfico nos primeiros anos, dando união e segurança aos imigrantes que passavam por períodos difíceis de adaptação.


Foi somente em 1935 que chegou o primeiro pastor, Willian Vincent Muller, pois, até então, Carambeí tinha sido considerada muito pequena para manter um ministro regular. Sob seu comando e com auxílio de sua esposa, a Srª Charlote Muller, a Igreja prosperou e permaneceu atuante, envolvendo e coordenando a vida comunitária em atividades sócio-recreativas.


CASA DAS ETNIAS: Homenagem às etnias que contribuíram para a formação e desenvolvimento de Carambeí: Alemães, Indonésios, Italianos, Poloneses e Portugueses


ALEMÃES: A cidade de Carambeí é conhecida pela forte presença holandesa, mas não somente pelos mesmos, existe a presença de muitas etnias que aqui encontraram a oportunidade de uma vida melhor, um novo horizonte, como os imigrantes alemães que aqui na cidade campesina encontraram sua nova morada, durante a década de 1920 e 1930. Antes mesmo da chegada dos primeiros pioneiros holandeses já haviam estabelecidas algumas famílias alemãs na região de Carambeí.


A dinâmica do contato que se estabeleceu aqui na cidade foi instigante, pois a língua parecida com a holandesa ajudou em um primeiro momento o contato entre ambos na comunicação, na tradição religiosa não houve um choque cultural, pois nesse sentido, a tradição Luterana Protestante permaneceu forte na região. Na agricultura foram de suma importância, pois trabalhavam muitas vezes nas chácaras de holandeses e posteriormente quando obtinham certo capital acumulado investiam na criação de animais como o gado leiteiro se tornado fiéis cooperados.


Os casamentos entre alemães e holandeses foram bastante comuns e promovidos na região sem um grande empecilho. São muitas as famílias alemãs que aqui fizeram sua vida, entre elas estão às famílias: Ksinsik, Schimidt, Engfer, Hofmann, Gehrmann, Nolte e Esser. Alguns alemães tiveram uma passagem temporária na região como Oswin Scharz e Karl Doenitz e também jovens aventureiros que trabalhavam para a empresa férrea e acabaram por não fixar moradia por aqui.


A dinâmica do contato que se estabeleceu aqui na cidade foi instigante, pois a língua parecida com a holandesa ajudou em um primeiro momento o contato entre ambos na comunicação, na tradição religiosa não houve um choque cultural, pois nesse sentido, a tradição Luterana Protestante permaneceu forte na região. Na agricultura foram de suma importância, pois trabalhavam muitas vezes nas chácaras de holandeses e posteriormente quando obtinham certo capital acumulado investiam na criação de animais como o gado leiteiro se tornado fiéis cooperados.


Os casamentos entre alemães e holandeses foram bastante comuns e promovidos na região sem um grande empecilho. São muitas as famílias alemãs que aqui fizeram sua vida, entre elas estão às famílias: Ksinsik, Schimidt, Engfer, Hofmann, Gehrmann, Nolte e Esser. Alguns alemães tiveram uma passagem temporária na região como Oswin Scharz e Karl Doenitz e também jovens aventureiros que trabalhavam para a empresa férrea e acabaram por não fixar moradia por aqui.


INDONÉSIOS: A Holanda dominou a Indonésia num processo de mais de 400 anos. Foi na década de 1930 que as primeiras duas famílias de indo-holandeses vieram para Carambeí, Vermeulen e Borger foram de grande importância para a economia da pequena cidade.


Também se dedicaram ao plantio de feijão, mandioca, milho e outros grãos, gerando trabalho aos moradores da região. Com ajuda de um monjolo, movido pela força da água, faziam farinha e fubá de milho. Suas contribuições e influências na culinária local são muito significativas: doo consumo diário da polenta e do macarrão caseiro.


PORTUGUESES: Existem duas ondas de presença portuguesanaregião, aprimeiradizrespeitoaoschamados luso-brasileiros, remanescentes e descendentes dos portugueses da época do Brasil Colônia, a segunda é caracterizada pela imigração, sendo a família Ventura a primeira família a se estabelecer em Carambeí em 1919, quando foram convidados para administrar a Fazenda Carambeí. No início além de administrarem a sede da fazenda também mantinham um pequeno armazém onde vendiam mantimentos para o pessoal da estrada de ferro e toda redondeza.


POLONESES: A Imigração Polonesa no Brasil centrou-se principalmente na região Sul do país. Os poloneses fizeram parte dos diversos grupos de imigrantes, embora em quantidade muito menor do que algumas nacionalidades mais presentes, como os italianos, os portugueses e os alemães. A primeira grande onda de imigrantes provindos da Polônia foi entre 1869 e 1889, mas foi em 1885, que formaram a colônia de Santa Leopoldina em Castro. As famílias de poloneses que hoje habitam Carambeí são remanescentes desta colônia, muitos procuravam trabalho nas chácaras e fazendas próximas, destacaram- se principalmente no ramo da madeira, na fabricação de embutidos e no trabalho com a terra.


CASA DO LEITE: Representa a primeira fabrica de queijo e manteiga que em 1925, para evitar a concorrência, deram origem à Cooperativa Hollandeza de Laticínios Ltda., primeira cooperativa de produção do Brasil. Mostra como era feita a ordenha das vacas antigamente e como o leite chega hoje em nossas casas, por meio de um painel interativo da Tetra Pak.


MATADOURO: Local para o processamento de carne na antiga comunidade, onde os principais produtos eram o charque e a linguiça de aves e suínos, produtos que eram processados e comercializados ali (década de 1920). Este espaço também representa a criação suína, que por muitos anos era um alicerce para a alimentação das numerosas famílias de imigrantes holandeses, o suíno não era a principal atividade, pelo contrário, era uma atividade de criação para subsistência, do porco também era extraído a banha, que era um meio de conservação da comida naquele tempo.


ESCOLA: O processo educacional da colônia foi baseado nos valores morais e religiosos, sendo a primeira escola construída em 1934 onde em uma mesma turma havia crianças de várias idades. Na escola, as aulas eram dadas em holandês, até a proibição de língua estrangeira por Getúlio Vargas, após a década de 1930, os colonos traziam professores da Holanda, na década seguinte, moças da colônia eram incentivadas ao magistério para dar suporte ao ensino.


MARCENARIA E FERRARIA: Local de propriedade do Sr. Hendrik Harms na época, onde eram produzidos os materiais necessários para o trabalho diário dos colonos, desde arados e ferramentas para o plantio até moveis para as casas. Com a dificuldade de se comprar materiais naquela época, pelo alto custo e pelo deslocamento para cidades maiores, a marcenaria e a ferraria


ocupava um lugar de extrema importância na vida da colônia, pois grande parte do que era necessário para a vida dos colonos eram produzido e confeccionado ali. O Sr. Hendrik Harms, um dos pioneiros, também se destaca como um artesão de madeira muito habilidoso, onde hoje, suas peças são colecionadas por famílias de descendentes.



VILA HISTÓRICA


Pautada na infraestrutura social e produtiva como base da formação atual do município de Carambeí, a unidade da Vila Histórica é uma ala museal composta de uma série de espaços caracterizados com acervos que expressam a experiência do fazer, como forma de reconhecimento do passado.


O ambiente retrata, por meio de reprodução, o primeiro núcleo social onde as famílias holandesas integraram-se à sociedade da época, construindo uma identidade própria através da agricultura e comércio com as cidades próximas.



CASA HOLANDESA


A edificação representa dois antigos tipos arquitetônicos diferentes da Holanda; a casa com tijolos a vista é mais encontrada em centros urbanos e a de madeira em regiões litorâneas. A fachada e o interior da residência são representados pelo estilo que vem desde o período da Renascença holandesa, estes elementos podem ser percebidos nos panôs no interior da residência.



MONUMENTO EM COMEMORAÇÃO AO CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO HOLANDESA NOS CAMPOS GERAIS


Homenagem aos imigrantes que passaram por inúmeras dificuldades no início da colonização, tendo na época como principal fonte de inspiração a Religiosidade, o Trabalho e a Educação. Curiosidade: por este motivo o monumento está voltado para a Igreja, Chácara Holandesa e Escola, fazendo menção aos três pilares.



MUSEU DO TRATOR E DOS IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS


Esta ala temática abriga as máquinas que foram indispensáveis para o cultivo na região. Ilustra a relação do colono holandês com a terra, o plantio e as práticas agrícolas, demonstrando o reconhecimento da força holandesa na agricultura. Os imigrantes foram pioneiros no cooperativismo no Brasil e inovadores em técnicas agrícolas, como o plantio direto.


Das Assessorias

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