• Redação

Funcionários do transporte público de Castro entram em greve

Empresa diz que situação é insustentável; Trabalhadores pedem reajuste salarial e pagamento do salário em uma parcela.

Os funcionários do transporte coletivo estão em greve desde ontem (22) em Castro. Segundo o sindicato que representa os trabalhadores a paralisação é por tempo indeterminado.


A entidade afirma que notificou a Prefeitura de Castro e a empresa Viação Cidade de Castro sobre o indicativo de greve no começo da semana passada, mas não houve negociação.


Os funcionários querem o pagamento dos salários em parcela única e reivindicam o reajuste salarial e o cartão alimentação.


Em nota, a Viação Cidade de Castro elencou uma série de fatores sobre a crise do transporte coletivo, como o custo da folha de pagamentos e o aumento do preço do diesel.


A nota ressalta que a situação é insustentável e pede ajuda ao poder público. Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Castro afirmou que não vai se posicionar.


Já em Ponta Grossa, os funcionários da Viação Campos Gerais anunciaram que vão entrar em greve na semana que vem, caso não recebam a segunda parcela do salário até esta quinta-feira (25).


Valores do reajuste pedido pelos funcionários.


Conforme o Sintropas, um acordo entre a empresa e o sindicato, feito no ano passado, decidiu que o piso salarial dos motoristas aumentasse de R$1,6 mil para R$1,76 mil e o reajuste no vale alimentação deveria ser de 5%.


Nota Viação Cidade de Castro


Diante do indicativo de greve pelo SINTROPAS - PG, a VIAÇÃO CIDADE DE CASTRO vem a público destacar que sempre priorizou o bem estar dos cidadãos Castrenses, buscando atender suas necessidades de transporte da melhor maneira possível, ao tempo em que primou por sua responsabilidade em relação aos seus colaboradores e às famílias destes.


No entanto, a atividade de transporte urbano de passageiros há tempos vem sendo prejudicada por uma série de fatores.


Tem sido constante a redução do número de passageiros pagantes, em razão do aumento das gratuidades (passageiros não pagantes, em razão de leis), da disseminação dos aplicativos de transporte (Uber, 99 etc.), da atuação não fiscalizada de transportadores clandestinos e da facilidade de financiamento de veículos de pequeno porte, tais como motocicletas de baixa cilindrada.


Tais fatores se intensificaram no último ano, em vista da pandemia da Covid-19. Houve redução de praticamente 60% no número de usuários do sistema, sistema esse que não conta e nem nunca contou com nenhum tipo de subsídio governamental, dependendo exclusivamente dos valores obtidos através das tarifas pagas pelos passageiros transportados.


O aumento da área urbana do município, com a criação de bairros distantes, os quais exigiram a implantação de novas linhas, reduziram o IPK (índice de passageiros por quilômetro) do sistema, aumentando seu custo.


Além disso, o custo da folha de pagamentos vem aumentando em patamares sempre superiores aos da inflação oficial, assim como ocorre com o preço dos insumos – peças, pneus e, principalmente, combustível (Diesel).


Várias e justificadas solicitações de reajuste de tarifas e adequações de itinerários foram feitas pela empresa concessionária ao Poder Público concedente, porém sequer foram apreciadas, fazendo com que a empresa venha trabalhando “no vermelho” há vários anos.


Essas dificuldades fizeram com que o caixa da empresa nem sempre estivesse condizente com as necessidades impostas por suas obrigações, exigindo constantes injeções de recursos, obtidos através de empréstimos, aumentando o endividamento.


Agora, a situação tem-se mostrado insustentável e apenas a atenção do Poder Público é que tem o condão de revertê-la, de modo que a empresa apela publicamente para que a Prefeitura Municipal dê a devida atenção à situação do transporte coletivo urbano de nossa cidade de Castro.


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