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Gilson Aguiar: Administrar particularidades é um desafio para o gestor público


Somos movidos pelas nossas vontades. Gostaríamos de satisfazer todas elas. Mas há nesta condição uma contradição. O que desejo nem sempre depende exclusivamente de mim, há outros envolvidos. Em sociedade a condição de dependência das particularidades da vida coletiva é fato. Porém, nem sempre na consciência e na ação de todos esta realidade é ciente e consciente.

O indivíduo é tomado pelos seus interesses e ele é que movimenta na busca da ação ou não. O que desejamos com nosso comportamento é o que determina a nossa “intenção positiva”. Eu quero uma consequência do comportamento que realizo ou não. Um resultado que se busca da ação ou não ação. Pense, algo te movimenta no comportamento, nas decisões de todos os dias.

Um fato que me chama a atenção em relação a isso é a gestão pública de municípios e estados tentando controlar o comportamento da população. Os pedidos inúmeros para que os indivíduos não saiam de casa sem necessidade e que mantenham o distanciamento social. Empresas que tem regras a obedecer para garantir o funcionamento de suas atividades. Porém, nem tudo que está estabelecido como medida é obedecido. Entre a lei e a atitude, o desregrado é estimulado por algum interesse, via de regra o de suas particularidades.

Por isso, não é fácil o papel dos gestores públicos em tempo de pandemia. Principalmente aqueles que têm a dimensão do quanto pode ser fatal para a estrutura da saúde um crescimento significativo de casos de coronavírus. O que é uma preocupação que afeta a todos e pode trazer consequências para cada um não é o que move o comportamento particular. Há uma distância entre os estímulos da vida social e da vontade particular. Por mais que o comportamento pessoal em soma na sociedade constrói a ação coletiva. 

Para deixar a situação mais complexa, lideranças incentiva e serve de modelo para o comportamento particular. Nos inspiramos nas particularidades de referência para medir a intensidade de nossas atitudes. Não se diz que filhos aprende mais com o comportamento dos pais do que com o que eles determinam pela falas e regras que impõem? Ou seja, a regra de que faço o que mando e não faça o que eu faço não funciona.

Outro determinante importante são os nossos hábitos. Aqueles adquiridos ao longo do tempo que se consolidam como valores. Muitos dos quais herdamos de nossos pais e das gerações passadas. Aquilo que nos é transmitido em diversos lugares de nossa vida, nas relações que estabelecemos. Estes valores impregnam e acabam por se naturalizar. Em tempos que se precisa de uma atitude mais consciente estes valores podem atrapalhar. 

Enfim, ser gestor não é fácil. Em uma sociedade construída pela aglutinação de interesses, definir e colocar em funcionamento o que é melhor enfrenta obstáculos. Cada ser humano é uma célula na construção do tecido social. Porém, muitas vezes movido em contradição com os demais. Causa ações contraditórias e perigosas, caso tenhamos em massa uma desobediência ao que é fundamental para a vida coletiva. Com isso, o papel da gestão pública é agir e nem sempre com a concordância individual. O ato indigesto da administração é necessário muitas vezes.


Ouça o comentário de Gilson Aguiar para a CBN Ponta Grossa:


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