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Gilson Aguiar: Educação para poucos e ignorância para muitos


Saiu a nota do Enade das instituições de ensino superior. Mais uma vez as instituições de ensino públicas dominam o ranking das melhores do país. No Paraná, a Universidade Federal do Paraná e as universidades estaduais tiveram um bom desempenho. Coisa que poucas instituições privadas alcançam. O Paraná tem algumas delas.


Com uma nota que vai de 1 a 5, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes é um critério importante para muitos alunos orientarem suas escolhas ao cursarem uma instituição de ensino superior. Porém, a concorrência para uma vaga em uma instituição pública é acirrada e elimina um grande número de candidatos. Estes, ou tentam no ano seguinte ou vão procurar uma vaga no ensino superior.


Os alunos com melhor preparo no ensino médio tendem a ingressar nas instituições públicas, os de menor renda nas ies privadas. A desigualdade se inverte. Enquanto o ensino fundamental e médio tem mais qualidade em média quando é privado, no ensino superior é a educação pública que se destaca. Por que?


A formação das instituições de ensino superior no Brasil se iniciou com a transferência da corte portuguesa em 1808. A implantação de um estado no território até então colonial brasileiro fez emergir a necessidade de formar pessoas para a governança e atender as demandas de uma população qualificada que atendia direta ou indiretamente aos interesses do estado.


A educação fundamental e média sempre ficou relegada às ações privadas. Nos primeiros tempos do Brasil, principalmente, eram as ordens religiosas que cumpriam este papel. Não por acaso, até hoje, são elas que tem um peso significativo no controle de escolas de ensino fundamental e médio particulares no país.


A formação básica da massa sempre este prevista na lei, porém, não se cumpre. Isto ocorre tanto pela falta de estrutura nos primeiros tempos, escolas e professores, como também pela pouco importância que a instrução teve na vida econômica brasileira em sua formação. A forma como se produzia açúcar no Brasil desde o início da colonização se manteve por três séculos. A inovação técnica e o trabalho livre não fizeram parte do desenvolvimento econômico brasileiro em sua produção agrária. Diferente do agronegócio que temos hoje em dia.


Ciência e tecnologia estiveram distantes da vida comum. Ainda estão. O tempo de manutenção das mesmas práticas produtivas por séculos fez do conhecimento científico um desconhecido e desacreditado. Tanto que os médicos eram vistos como charlatães e os curandeiros e benzedores eram tidos como salvadores de almas. Ainda hoje eles têm sua influência.


Neste país falta ciência e principalmente consciência do papel que o conhecimento pode ter em nossas vidas. Nestes tempos de pandemia é fácil perceber o desprezo que das pessoas a pesquisa e ao cientista. Isto porque as universidades públicas tem um bom desempenho, algumas poucas privadas, o que restringe o acesso da maioria da população a qualificação. Uma qualidade que poucos alcançam e que continua a deixar uma grande parte da população na ignorância.


Ouça o comentário de Gilson Aguiar para a Rádio CBN Ponta Grossa:


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