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Gilson Aguiar: Falta de diálogo fortalece a crise


Reabertura das atividades econômicas está ocorrendo com restrições. O comércio reabre e as lojas precisam ficar atentas às resoluções, existe um protocolo para o atendimento as clientes, o comportamento dos funcionários dentro do ambiente de trabalho.


Algumas atividades acabam retornando por liminares da Justiça. Agora os supermercados vão ampliar o atendimento para sábados e domingos através dela. Também shoppings estão buscando o retorno via judicial. Outros setores já conquistaram o direito de reabrir pela canetada dos magistrados.


Este ambiente é o melhor para sairmos da condição em que estamos? Não é o ideal. Deveríamos ter diálogo e consenso. O Judiciário é o meio para resolver os antagonismos em uma democracia. Porém, denuncia a falta de compreensão do problema e de sua resolução através de medidas que demonstre debate e convergência. Não estamos tão unidos em um problema que é comum a todos.


Um dos fatores que dificulta uma resolução pelo diálogo e busca de consenso é a falta de informação e formação. A habilidade de lidar com a crise exige sensibilidade e coerência nos atos. É a relação delicada das lideranças de vários segmentos e a expressão máxima dela na figura do Estado. O governante público tem que saber dialogar com as forças que o sustentam.


A crise expõe o melhor e o pior de nós. Nossas habilidades e limitações ficam evidentes. Nossas intenções também. O jogo do poder tem um preço. Por mais que deve-se emanar do povo. No Brasil, as decisões dos representantes públicos não espelham a necessidade popular muitas vezes. Lembrando da diferença fundamental entre vontade e interesse popular. Nem sempre o que o povo quer o do que necessita.


Quem detém o poder joga com as duas condições. Ao mesmo tempo sabe que é preciso atender as necessidades da população, o que é de seu interesse. No que estamos vivendo, saúde e emprego. A sobrevivência das pessoas está em jogo nos dois sentidos. Por outro lado, a decisão popular se sustenta na vontade, no ato de busca do que lhe convém. O desejo imediato fala mais alto, a visão precária determina o contexto das decisões. Manipular esta vontade em alguns momentos legitima o ato do governante e justifica suas intenções de permanecer no poder.


Todos temos vontades e temos também interesses. Vamos buscar atender o que nos convêm. Porém, governar pessoas requer um olhar muito além de uma percepção precária, sem fundamentos. Exige um olhar sistêmico. Compreender a complexidade do que nos governa e quais as reais necessidades da população.


Gilson Aguiar é âncora e comentarista da CBN Maringá


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