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Gilson Aguiar: Ideologia ou ignorância


Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transporte (CNT) apresenta um perfil da tendência ideológica dos brasileiros. Demonstrando que a maioria não tem opinião formada sobre o tema, ou seja, não sabe se definir ideologicamente. Não tem um posicionamento sobre as relações que o cercam e produz sua vida, 37,2%.


Já os que responderem ter uma ideologia, em sua maioria, demonstram se de direita, 27,7%. E, em segundo lugar, dos que se definem ideologicamente, estão os que se consideram de esquerda, 11%. O restante trafega em um termo pantanoso, o centrão. Há os que se consideram de centro direita, 4,3%, assim como os de centro esquerda, 2,7%, e a turma do centro 17,1%.


O que isso significa? Considero que grande parte dos brasileiros sequer tem noção do que seja um posicionamento ideológico. Mesmo os que responderam a pesquisa buscando se definir diante do mundo com uma lógica mais ampla, tem uma visão superficial. Ao se ter uma compreensão organizada sobre as forças que determinam nossas vidas, sejam elas econômicas, sociais e políticas, há uma tendência em buscar esta defesa nas escolas e nas ações diárias.


O que estou querendo afirmar é que ao definirmos ideologicamente nossas posições, devemos ter uma relação entre nossa definição e prática. O que não ocorre quando comparamos o comportamento social e as tendências de perfil dos brasileiros sobre outras questões. É de um simplismo imenso considerar uma definição ideológica apenas pelo que uma pessoa afirma defender.


Os atos falam mais do que a retórica. A história consolida muito mais quem somos do que o que pregamos ser. Quando afirmamos ser de direita, liberais, devemos assumir o liberalismo com um propósito contidiano. Permitir a concorrência e abandonar o assistencialismo, por exemplo. Contudo, permitir a livre organização de classes e segmentos sociais. Na economia, romper com a dependência governamental e com os subsídios. Apostar no potencial privado e na livre negociação.


Porém, nesta mesma pesquisa da CNT, o presidente Jair Bolsonaro é aprovado por 41% dos entrevistados. Esta aprovação tem relação com a ideologia ou com os subsídios? As medidas de assistencialismo com obras públicas de poços artesianos, ou por uma defesa da privatização, o que iria contra a parte considerável do assistencialismo governamental.


Se é de direita, liberal, mesmo sem o auxílio emergencial e o pagamento de parte de salários para algumas empresas? O quanto se reproduz uma retórica com uma prática contraditória. Por isso, temos que ter cuidado ao olhar os números de uma pesquisa que define ideologicamente os brasileiros.


A grande maioria da população do país desconhece a definição do termo, tem precário domínio sobre o que a palavra ideologia significa. Mal conhece a realidade do país e vive da ilusão de medir o mundo por um olhar nebuloso carregado de exageros e simplismo instalado no próprio umbigo.


Ouça o comentário de Gilson Aguiar para a Rádio CBN Ponta Grossa:


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