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Professor da UEPG pesquisa relação do clima com a Covid-19


A expansão da pandemia do novo coronavírus começou em países do Hemisfério Norte, que passavam pelos meses mais rigorosos do inverno. No sul do Brasil, a perspectiva de baixas temperaturas trouxe preocupação. Pesquisadores, como o professor Gilson Campos Ferreira da Cruz, relacionam o clima com o avanço do vírus. Em pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o professor de Climatologia estuda as características regionais dessa relação.


Para entender como se desenvolve a Covid-19 em Ponta Grossa, o professor estabeleceu traçou um paralelo entre os dados de temperatura do ar e da radiação com o número diário de novos casos da doença na cidade. Uma hipótese é de que as condições climáticas das últimas duas semanas de maio e a primeira semana de junho influenciaram o aumento dos casos da doença nas três últimas semanas de junho.


Duas váriaveis se destacam no período analisado: o predomínio de nebulosidade e as baixas temperaturas, que segundo o pesquisador são favoráveis ao novo coronavírus. “Um dado importante que já tivemos, por exemplo, é a constatação de que o bairro de Uvaranas é um dos mais frios da cidade, por isso a região tende a ter uma grande chance de contágio. Não à toa, o bairro concentra o maior número de casos confirmados da Covid-19 em Ponta Grossa”, complementa.


Segundo o pesquisador, no início a pandemia se desenvolveu de forma mais lenta no sul do país. Mas, como previsto, os estados do sul vivenciaram o crescimento da pandemia com a aproximação do inverno.


O climatologista enfatiza a importância de considerar o clima como um fator essencial na luta contra o vírus. “O desenvolvimento desta pesquisa permite entender melhor como a doença está evoluindo na cidade, diante das variáveis climáticas que muitas vezes não estão muito claras”, explica.


As pesquisas sobre o clima urbano de Ponta Grossa são a especialidade do professor Gilson Cruz. Em sua trajetória acadêmica, ele já desenvolveu estudos sobre o canyon urbano da rua XV de Novembro, relações entre arborização urbana e microclima de ruas, praças e matas, além de relacionar os tipos de coberturas de residências e o clima, analisar a distribuição das chuvas, entre outros fatores climáticos.


Desde o final de 2019, Cruz estuda a temperatura do ar em Ponta Grossa. Durante a pesquisa, começaram a surgir os primeiros casos de Covid-19 no Brasil. “Assim, surgiu a ideia de utilizar os estudos do clima de Ponta Grossa para ajudar a entender a ocorrência da doença na cidade, quando isto viesse a ocorrer de fato, que coincide com o momento que estamos vivendo agora, infelizmente”, aponta.


Sobre os estudos

O professor explica que  os primeiros estudos sobre o vírus e o clima apontam que temperaturas entre 2ºC e 8ºC e o tempo seco são as condições climáticas mais favoráveis para o novo coronavírus. As pesquisas preliminares não previam o desenvolvimento do vírus nos países tropicais. No entanto, a Covid-19 chega ao Brasil em fevereiro, quando ainda era verão no hemisfério sul e as cidades tinham temperaturas ainda elevadas.


Além das variáveis climáticas, como temperatura e umidade relativa, outros fatores têm sido analisados para tentar entender o desenvolvimento da pandemia no mundo, como a radiação UV, que pode inativar o novo coronavírus. A chegada deste tipo de radiação à superfície, em maior ou menor quantidade, pode ajudar a explicar a expansão da doença.


Informações Universidade Estadual de Ponta Grossa

Foto: Divulgação/Gilson Cruz (Arquivo Pessoal)

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