• Thailan Jaros

Ensino para crianças com autismo é desafio para pais e professores em Ponta Grossa

Pais relataram problemas em matrículas e falta de acompanhamento de profissionais no município; Secretaria diz que situação foi resolvida.

Foto: Unicef/ONU

Uma pesquisa feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA mostrou que uma a cada 44 crianças são diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista. O estudo revela um aumento na incidência das crianças que nascem com o Transtorno, já que há 20 anos apenas uma em cada 150 crianças tinham o diagnóstico.


Com esse aumento, o presidente do Observatório da Inclusão de Ponta Grossa, Nelson Canabarro, afirma que a tendência é de que o número de autistas em escolas também aumente.


Em Ponta Grossa, quase mil crianças com deficiência estão matriculadas nas escolas municipais e centros de educação infantil. Quase duzentos são autistas.


Rosângela Carvalho tem um filho com autismo de nível três, o mais grave. O pequeno Donovan tem cinco anos e foi diagnosticado com o transtorno quando tinha um ano e oito meses. Em 2019, Rosângela decidiu matricular o filho na escola. Ela relata a dificuldade de concluir a matrícula. (Ouça na reportagem abaixo).


Naquele ano, Donovan não tinha o acompanhamento de um profissional de apoio de auxílio de inclusão, o chamado tutor. Desde 2012, uma lei prevê que um aluno com o espectro autista tem direito a um acompanhante especializado nas salas de aulas do ensino regular.


A coordenadora do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado, Patrícia de Fátima Rodrigues, explica que em Ponta Grossa, estagiárias do curso de pedagogia são responsáveis por esse atendimento.


Para Nelson Canabarro, a inclusão das crianças com deficiência é positiva também para as crianças sem deficiência. Rosângela Carvalho conta que a pandemia piorou o quadro do filho, que não acompanhou as aulas on-line.


Neste ano, as aulas retornaram com todos os alunos presencialmente nas escolas. Mas Donovan não voltou. A mãe relata que só permitiu a presença do filho na escola com um tutor.


Rosângela tem uma decisão da justiça que obriga que um profissional acompanhe o filho na escola. Depois do início das aulas, uma tutora foi contratada e Donovan agora vai para a escola.


O Observatório de Inclusão de Ponta Grossa recebeu denúncias de recusas de matrículas para alunos com autismo neste ano. Segundo o presidente do Observatório, Nelson Canabarro, as recusas foram na rede pública e em algumas escolas particulares.


A coordenadora do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado, Patrícia de Fátima Rodrigues, afirmou que qualquer problema deve ser relatado à Secretaria Municipal de Educação.


Conforme a pasta, já foram contratadas 244 pessoas para fazer o trabalho de auxiliares nos CMEIs e Escolas. A prioridade, segundo a Secretaria, é para que elas exerçam a função de Auxiliar de Inclusão.


Uma comissão foi montada em Ponta Grossa para auxiliar nos atendimentos no ano que vem e evitar que problemas se repitam. O grupo deve elaborar estratégias para padronizar formas de acesso ao ensino no município.


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