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  • Ricardo Silveira

A história dos cinemas de Ponta Grossa




Ponta Grossa, em 1906, ganha o seu primeiro cinema, o Cine Recreio, inaugurado no dia 20 de setembro, fruto de mais um empreendimento do comerciante Augusto Canto. As primeiras instalações do Cine Recreio estavam localizadas numa antiga casa da Rua 7 de Setembro e posteriormente ele foi transferido para instalações mais adequadas na Rua XV de Novembro.



Em 1911, pelas mãos do músico Jacob Holzmann, homem intensamente relacionado com a arte, Ponta Grossa ganha seu segundo cinema, o Cine Renascença. Alguns anos após a fundação do Cine Renascença, já na década de 20, é fundado o Cine Teatro Éden. Inicialmente o Cine Éden funcionou na Praça Barão do Rio Branco e posteriormente no encontro das ruas Augusto Ribas e XV de Novembro, onde ficou até o final da década de 40, dando, então, espaço para o Cine Ópera. São esses dois cinemas que irão garantir para a cidade de Ponta Grossa, até o final dos anos 30, o acesso da população às produções cinematográficas - em sua grande maioria, criações hollywoodianas.


Em 30 de setembro de 1939, Ponta Grossa ganha o quarto cinema de sua história, o Cine Império, que, juntamente com os dois anteriores, propiciava à cidade um complexo conjunto de casas exibidoras da mais alta qualidade. Ponta Grossa podia se orgulhar da sua vida cultural, que revelava uma cidade com um grande crescimento demográfico e em franco desenvolvimento urbano. Seu fundador foi o italiano naturalizado brasileiro Giuseppe Pierri, também um apaixonado pela arte e de grande espírito empreendedor.


Em 1964, após 52 anos de funcionamento e milhares de quilômetros de filmes rodados, o Renascença é fechado. No dia 15 de setembro de 1950, é inaugurado em Ponta Grossa, como o maior empreendimento no ramo de entretenimento, o Cine-Teatro Ópera. Um suntuoso cinema de 1400 lugares, com poltronas de couro vermelho, localizado em ponto nobre e elevado da cidade: o cruzamento das ruas Augusto Ribas e XV de Novembro.


O Cine Inajá é inaugurado em Ponta Grossa no ano de 1965, ocupando a vaga deixada pelo Cine Renascença e surge como o mais importante e moderno cinema da cidade e como um dos melhores do Brasil. Nos anos 60 a cidade ganha um cinema de bairro: o Cine Pax. Cinema que surge para impulsionar o bairro de Oficinas, idealizado e realizado por uma congregação religiosa, cuja liderança cabia ao Frei Elias, figura popular e decisiva daquela região.


O Cine Caribe, funcionou nos anos 70 na rua Balduíno Taques, nas proximidades da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Este cinema tinha como slogan: “O Cine Joia da Cidade”. A cidade teve ainda outros cinemas menores e de curta existência.


Os antigos cinemas de rua de Ponta Grossa fizeram parte da formação da identidade da cidade, pois durante muitos anos foram a principal forma de entretenimento e diversão, reunindo, muitas vezes, num único final de semana, milhares de pessoas para assistirem a um determinado filme.


Nelson Silva Junior é professor e coordenador do curso de Licenciatura em Artes Visuais na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Ensino de Ciência e Tecnologia (UTFPR) e Mestre em Ciências Sociais Aplicadas (UEPG), possui pesquisas ligadas ao Cinema e Ciência. Sua dissertação de mestrado tem como temática 'O fechamento dos cinemas em Ponta Grossa - particularidades de um processo'. É membro do Conselho Municipal de Política Cultural de Ponta Grossa.



Fonte: https://www.museucenas.com.br/#/exposicao/34


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